BOOK REVIEW \\ "CEM ANOS DE SOLIDÃO", GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ


Arrisco-me a dizer que "Cem Anos de Solidão" devolveu-me a alegria de me deixar conduzir pelo enigma que carrega nos braços todo o enredo de uma história, descortinando os recantos mais sinuosos de toda a sua estrutura. Recordo-me de que foi no dia treze de Fevereiro, quando finalmente me decidi pelo livro, de maneira a me distrair dos acontecimentos da vida. Na altura, não estava a "precisar" de distrações, mas mal sabia eu de que recorrer à leitura, uma vez mais, me tornaria numa pessoa mais forte, resiliente, lutadora... Gabriel García Márquez trouxe-me ao lar um tipo de escrita que eu aspiro um dia alcançar, obviamente que após muito trabalho. Sei que talvez não seja a melhor maneira de a descrever, mas a verdade é que eles nos faz viajar de tal maneira e com tanto gosto, que nem damos pelo tempo a passar ao nosso lado, qual brisa que nos saúda nos dias de verão.

"Cem Anos de Solidão" é a história de uma família, a Buendía-Iguarán, e cuja a trama se inicia com a mudança e fundação da cidade de Macondo, pelas mãos de José Arcadio Buendía e Úrsula Iguarán, uma cidade desconhecida por muitos, mas visitada por quase todos, mesmo que pela estadia mais breve. Em Macondo, tudo e mais alguma coisa se sucede, desde dados históricos que são comuns a todas as personagens, até aos factos que são atirados de forma abrupta para debaixo do tapete, um método de desvanecimento do conhecimento e que é capaz de levar certas personas à loucura. 

Parece uma trama simples, um tema que qualquer um poderia trabalhar, mas Gabriel foi capaz de provar de que não, não é qualquer um que se poderá dar ao gozo de pegar em si mesmo e fazer nascer uma história tão bela pela sua crueza e pelos seus detalhes. Foi tudo pensado ao pormenor, jogado ao ar e experimentado; cada acontecimento, processado pelo corpo de cada personagem, tem um significado bastante essencial para o desenrolar da narrativa; mais do que um livro que nos faz percorrer anos de uma história de família, "Cem Anos de Solidão" observa-nos do parapeito da sua janela, estende-nos os braços e convida-nos para um abraço comovedor, convencendo-nos a entrar na sua casa. Por muito que neguemos o convite, acabamos por nos deixar seduzir. 

Não sei até que ponto é que o autor se inspirou em factos reais, visto que as descrições são elaboradas de maneira tão palpáveis e elegantes, mas a verdade é que consumi cada página com tempo, carinho, atenção, sem qualquer pressa de as terminar. E ainda bem que o fiz! Terminei o livro ontem, e apesar de se tratar de um romance dramático, reconheci certos aspetos misteriosos e sobre os quais jamais vislumbrei a resposta, se não no final, esse que me levou a adormecer de maneira profunda e direta, com o pensamento nele. E se não for para viver uma experiência assim, pautada de momentos de ansiedade, loucura, paz e harmonia, não vejo porque razão viver no corpo que o universo nos concedeu.
Contem-me: já leram este livro? Que tal a experiência? ♥

1 comentário:

  1. O Gabriel García Marquez tem uma escrita muito característica, com descrições muitas vezes absurdas e hilariantes ao mesmo tempo e é isso que me cativa nele.:p

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