segunda-feira, 22 de abril de 2019

PRESS PLAY \\ "OXNARD", ANDERSON PAAK

Dispensar o meu tempo no Spotify é uma das melhores formas de o otimizar e transformar num momento de descoberta. Todos os músicos que já aqui vos trouxe, simbolizam muito disso: desta cegues que, gradualmente, se vai amenizando, devido às sugestões da própria plataforma. Se não me engano, foi em "Dang", com Mac Miller, onde tropecei em Anderson Paak. Passado um tempo, numa das playlists aleatórias, me deparei com a track "Tints", em conjunto com Kendrick Lamar, aquela que me viria a deixar extremamente curiosa com o trabalho deste cantor. 

Assim que entrei no universo de "OXNARD", ficou-me impossível de sair: para dizer a verdade, não passo um dia sem o fazer e sinto-me renovada, a cada sessão. Alheia às avaliações profissionais, falo-vos do coração: este álbum conta-me uma história, se não narrativa, que seja pelos ritmos, que se interligam e deixam uma sombra coordenativa e pautada de segredos, que sussurram a cada manifestação, em tons diversos. 

Não sei a que estação do ano o associar, se a uma tarde de verão passada com os amigos, ou a um serão de inverno na própria companhia, mas a verdade que me assiste é apenas uma: sinto-me uma nostálgica eu, com o apoio destas composições e que me remetem a situações do passado, ao mesmo tempo em que me permitem delinear cenários do futuro. Talvez esteja a soar demasiado poética, mas a música tem esta idiossincrasia, a de moldar uma só linguagem em várias e que, do nosso prisma, ganham traços diferentes. Sei que não é o género musical que agrade a todos, contudo, acredito que chegará às medidas de muitos!

FONTE
Conheciam este cantor/álbum? ♥

sábado, 20 de abril de 2019

SÉRIES \\ "CHILLING ADVENTURES OF SABRINA" (2018 -)

Há diversos fatores que me levam a inteirar-me de certos conteúdos: ou tratam-se de uma descoberta pessoal, ou me foram recomendados por alguém de confiança. Aquilo que, muitas das vezes, me impede de querer gostar de algo é o hype que o ladeia, esquina após esquina. Sim, sou dessas, sem qualquer medo de o admitir. Há qualquer coisa em mim que não me permite adentrar em certas ondas, obrigando-me a ficar na beira, até me parecer seguro, contudo, não consegui ficar neutra acerca de "Chilling Adventures of Sabrina", muito em parte por abordar terror, fantasia, mistério, num ritmo frenético bastante apelativo. 

A primeira parte desta série convenceu-me, embora o final me tenha parecido um pouco descontextualizado. Sem querer dar spoilers, mas, basicamente, a Sabrina passou oito episódios a se opor a algo para, no final, "se converter", e isso deixou-me desiludida. No entanto, considerando que ela é apenas uma adolescente de dezasseis anos, as suas ações inconsequentes vão muito de acordo com a pouco noção que muitos da sua idade têm e, na segunda parte, que estreou este ano, já não me senti tão incomodada com o rumo que a história levou, visto que a narrativa se vai colmatando, uniformizando e ganhando algum sentido. 

FONTE: POSTER SPY

"Chilling Adventures of Sabrina" conta-nos a história de Sabrina, uma adolescente meio-humana-meio-bruxa e que, aos seus dezasseis, terá de ser batizada pelo Senhor das Trevas, uma espécie de "Deus" do lado sombrio da religiosidade, só que das bruxas e feiticeiros - o Satanás, portanto -. A primeira parte, é o retrato da sua indignação em ter de perder o livre-arbítrio e os amigos humanos, ao passo em que tenta desafiar as forças maiores que a comandam. Já na segunda temporada, vemo-la a aceitar todas as adversidades que teve de abraçar, naqueles últimos meses, com o acrescento de novas peripécias. Embora os episódios tenham uma hora cada, passam a correr e se desenvolvem, já com o intuito, de nos obrigar a consumir mais e mais!

Sinto-me, deveras, curiosa para ver como é que tratarão as terceiras e quartas temporadas, dado que o desafio desta personagem será ainda maior e mais perigoso. Com o final desta segunda temporada, já temos pistas, e talvez uma certa ideia concreta, de como é que certas cenas se desenrolarão, com o bónus de desconhecermos, por certo, qual a relevância das personagens humanas e quão precisos e diferentes serão as novas aptidões de Sabrina. Para quem está a par, confesso: gostaria mesmo muito que a Sabrina conseguisse ampliar os poderes com os quais foi presenteada nos episódios finais da segunda parte, embora saiba que não serão os mesmos, devido aos acontecimentos passados, e que isso fosse um gatilho para o seu próprio progresso pessoal! 

Para além de Sabrina, uma das suas melhores amigas, a Roz, é uma espécie de "visionária", se é que lhe podemos chamar assim, e que tem visões, de cada vez em que toca em objetos específicos. Estou ansiosa para saber o tratamento que lhe darão e qual o seu grau de importância na trama, principalmente agora, que ela já tem um controlo substancial sobre as suas habilidades. O Theo, outrora Susie, simboliza muito mais do que identidade de género: esta personagem é a interpretação de auto-aceitação e respeito, não só pela parte pessoal, como também exterior. A par destas personagens que enumerei, o Harvey, o Ambrose, o Nick, as Três Irmãs e as tias Zelda e Hilda fazem com que "Chilling Adventures of Sabrina" tenha o seu valor, pelos pequeníssimos detalhes, e isso, meus caros, é de louvar!

Fica, então, a dica para esta fim-de-semana! Conheciam esta série? ♥

quinta-feira, 18 de abril de 2019

TBC: O QUE ESTOU A LER PARA ABRIL + O TEMA DO MÊS

Abril, Abril, mistérios mil! 


Quatro meses desde que criámos o The Bibliophile Club e, com imenso sucesso, temos tido adesão! Atrevo-me a falar em nome de todas: quando planeámos estes meses que já lá foram, jamais imaginaríamos chegar aqui, não obstante a nossa ausência participativa pelo grupo. Pese embora este detalhe, tem vindo a ser magnífico observar a interação que todos os membros fazem por gerar, entre nós. Passando os agradecimentos, pela introdução, já devem ter percebido qual será o mês de Abril. Não? Eu vos revelo: mistério e thrillers, oh, sim! Apesar de ter levado este tempo todo a me pronunciar, a verdade é que comecei o mês a ler um policial bastante curto, mas que já deveria estar terminado. 


Sem me subjugar a grandes pressões, talvez até amanhã à noite, o consiga terminar. Falo de "Confissões de uma suspeita de assassínio", de James Petterson, um autor que desconhecia por completo e que me foi apresentado por uma amiga, que acreditou que eu viria a gostar desta trama. Honestamente, não tenho grandes reclamações a fazer, embora queira as minhas respostas para ontem! Assim que terminar este, espero começar a ler o aclamado "A rapariga no comboio", de Paula Hawkings, e que eu nunca cheguei a ler! Para fazer jus ao tema do mês, não farei qualquer sinopse destes títulos, deixando essa tarefa nas vossas mãos! Se, gostarem de ser desafiados, e nunca antes leram estes livros, desafio a lerem-nos sem saberem do que se tratam! 

Aceitam? Contem-me: o que andam a ler para o clube? ♥

Publicação inserida para o projeto The Bibliophile Club, em parceria com a Sónia do By The Library e a Sofia do A Sofia World. Junta-te ao clube no Facebook, ou usa a hashtag #TheBibliophileClub.

terça-feira, 16 de abril de 2019

BOX-OFFICE \\ "AMERICAN PSYCHO" (2000)

Ainda ontem, disse a uma colega da minha turma: tudo o que acontece comigo roça a improbabilidade de ser, de tão estranho e bizarro. Isto, porque, faz semanas em que nos temos encontrado no autocarro, a caminho da faculdade, sem sequer combinarmos e ela afirmar que nunca antes lhe tinha sucedido isto. Fazendo agora a analogia, sempre que fico vidrada no trabalho de um artista, seja qual for o seu campo de ação, a minha tendência é a de pesquisar toda a sua cronologia profissional e mergulhar em cada uma das suas obras. Muito disto se sucede, principalmente, no mundo cinematográfico. 

A vítima, digamos, desta minha admiração mais recente, recai sobre Christian Bale, muito conhecido pela sua interpretação enquanto Batman, ao lado de Heath Ledger, enquanto Joker. Aliás, foi há dois domingos, após ter terminado a sessão de estudos, que me decidi sentar no sofá, como há muito não fazia, e me permitir a um momento de relaxamento. No canal Hollywood, passava aquela que me parecia a sequela de algo e, eis que, sem pensar muito, abri a Netflix e me coloquei a explorar as possibilidades. Terminei a trilogia d'O Cavaleiro das Trevas, extasiada e de olhos a brilhar, perante a performance de Chris Bale e que me fez recordar tantas outras que não me eram, totalmente, desconhecidas. 

FONTE: POSTER SPY

Aquela que, dentre muitas, se destacou e me aliciou, foi "American Psycho", que por muitos meses, existia no catálogo da Netflix, mas que, por alguma qualquer eventualidade, foi tirada do ar. Isso, pois claro, não foi motivo para me demover de procurar por uma solução: na quinta-feira passada, de postura traiçoeiramente descontraída, explorei aquele que, até ao momento, é um dos trabalhos mais notáveis de Bale, demonstrando a sua perícia em conjugar diversas personalidades numa só, enquanto psicopata. Confesso: Bale interpreta tão bem Patrick Bateman, que não me senti capaz de conter o riso de cada vez que ele colocava em prática o seu sarcasmo e ironia, ao mesmo tempo em que me atirava à cara um leque de críticas à sociedade.

Embora não seja americana, não fiquei indiferente aos pequenos avisos incrustados nos detalhes das cenas, das falas e dos silêncios. "American Psycho", para mim, simboliza uma espécie de caso de estudo, por nos entregar características de um ser egocêntrico, narcisista, invejoso, problemático, um aglomerado de detalhes que, bem escavados, têm as suas explicações nas arestas exteriores que os circundam. É, ao fim e ao cabo, um reflexo do quão disfuncionais são as nossas relações com os demais e de quais as influências de vivermos num ambiente tóxico, capitalista e consumista, no seio das grandes elites. Gostei tanto do filme que, ainda sem saber quando, o verei novamente, para tirar notas! Se desconheciam, até ao momento, deste título, fica aqui a recomendação!

Conheciam este filme? Ficaram curios@s? ♥

sábado, 6 de abril de 2019

TBC: O QUE LI EM MARÇO \\ "QUATRO", VERONICA ROTH


Quando criei o meu primeiro blogue - livros da meia noite -, a saga divergente ainda me era muito importante, por ter sido das primeiras às quais me apeguei e com a qual tive a oportunidade de experimentar aquilo que viria a ser uma proximidade entre um grupo de amigos leitores, apaixonando-me cada vez mais pela leitura. No âmbito dessa apreciação, apenas me faltava um livro para que, na estante, a saga ficasse completa: "Quatro", um pequeno livro contado da perspectiva desta personagem. No meio daquele entusiasmo todo, somente duas saídas seriam viáveis: ou eu me sentaria no mesmo dia e devoraria o livro, ou ele acabaria por quedar na estante, correndo o risco de ser partilhado com outro alguém, nunca mais regressando para o seu lugar.


Exatamente quatro anos se passaram, tempo mais do que suficiente para, com os nervos à flor da pele, lhe dar uma segunda oportunidade. Supostamente, eu me tinha comprometido a ler "Frankeinstein", de Mary Shelley, contudo, para o momento que estava a viver, aquele livro não se enquadrou com a minha rotina, sendo eu obrigada a colocá-lo de lado. A minha segunda escolha recaiu em "Quatro", que, por ser um young adult e primar pela sua leveza, me permitiu iniciar e terminar uma leitura, como há imenso não fazia, em menos de quatro dias - estamos, até aqui, de acordo com estas consonâncias em relação ao número quatro, certo? -. Repito o que havia dito no Goodreads e no Instagram:

"Regressar aos braços daquelas que foram as sagas que nos viram crescer, é sempre bom, no entanto, é de olhar amadurecido que nos apercebemos de que, embora nos possamos refugiar, há algo em nós que mudou e isso é ótimo de se classificar como descoberta! "Quatro" permaneceu quedo na estante, exatamente por quatro anos, mas foi num dos momentos de maior aperto e desorientação, que foi capaz de me agarrar pelo braço e puxar para cima. Não foi uma leitura planeada e, talvez por isso, é que tenha feito tanta diferença!"

Embora tenha adorado a trilogia, da primeira e única vez em que a explorei, este quarto livro tem imenso que se lhe diga: se, por um lado, passamos a compreender certas atitudes e preocupações, por outro, é como se muitas das ações não se pudessem justificar, exatamente por estarem mal explicadas, dentro deste contexto. Há muitas discordâncias na narrativa, essas que apenas poderão ser compreendidas se, anteriormente, já tivermos tido contacto com a trilogia inicial. 

A mim, pouco me incomodou, contudo, acredito que tal detalhe fará toda e qualquer diferença num leitor que pegue nesta história, pela primeira vez! Posto isto, apenas acrescento: mesmo quando já temos mil e um planos estabelecidos na nossa cabeça, não há mal algum em recuarmos nas nossas decisões e optarmos pelo nosso melhor. Este livro desempenhou um papel crucial na minha atitude enquanto leitora e não me arrependo nada de o ter utilizado como moeda de troca!

Conheciam este livro? Já leram? ♥

→ Sendo o IMPERIUM um dos blogues afiliados da Wook [PT] e do Book Depository [ENG] , ao comprarem através dos links, estão-me a ajudar com o meu trabalho e eu agradeço-vos, desde já, pela contribuição! Podem ler mais acerca do assunto AQUI! ♥

→ Publicação inserida para o projeto The Bibliophile Club, em parceria com a Sónia do By The Library e a Sofia do A Sofia World. Junta-te ao clube no Facebook, ou usa a hashtag #TheBibliophileClub.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

UM CAFÉ À JANELA E DOIS DEDOS DE CONVERSA

Não nego; quanto mais me aproximo da vida que levo fora das telas, menos vontade tenho de regressar às redes. Está muito em voga partilharmos cada milímetro de segundo que integre o nosso quotidiano, mas deixo aqui a questão: embora muitos o façam para que os seus os acompanhem e saibam novidades, nunca se sentiram cansados de o fazer? Pela parte que me toca, esse é o meu estado de espírito atual: sinto-me realmente cansada e não é fisicamente... No dia 21 de Março, depositei no meu caderninho aquilo que, a mim, me parecia a crise dos vinte, obviamente, com intenções de passar o texto a limpo e publicar. Mas acontece que, dias depois, tive uma espécie de colapso na minha saúde e a minha tensão arterial não encarava meio de subir e melhorar, o que me tem vindo a obrigar a ter cuidado com o ritmo que imponho à minha vida. em diversos aspetos. 

O que tem uma coisa a ver com a outra? Ora, bolas, praticamente tudo! Deixei-me abrir para muitos pensamentos negativos, para muitos sonhos utópicos, para diversas questões para as quais não existem resposta possível e, numa de experimentar a minha capacidade de resistência, acabei por colapsar: há dias em que acordo a meio da noite a chorar, tamanho o stress; já não sei o que é acordar com vontade de me levantar pela manhã e ir para a faculdade; até há três horas, fazia uma semana que eu não dançava e isso estava a acabar comigo, célula por célula. Felizmente, sinto que algo se está a recompor em mim, pedaço por pedaço.

Basicamente, já não faço uso das minhas redes sociais e, mesmo quando o tento praticar, desisto nos primeiros segundos. Sei lá, sinto-me desenquadrada num mundo que, outrora, me fora capaz de oferecer muito mais do que me interessa, verdadeiramente. Não estou para aqui a descurar detalhes que muitos dos meus amigos decidem partilhar, todavia, existe um leque considerável de tantos outros meios para o fazer, como por exemplo, através de um café ou chá, um copo de vinho, ou simplesmente à beira-rio... Desde que o aprendi, que não quero outra coisa! A bem, ou a mal, todas estas descobertas descontam o melhor de si na escrita. 

Que eu sou um turbilhão, já não me choca, o que ainda me admira, sinceramente, é esta minha necessidade de não me expressar quando me é devido, proporcionando um arrastar de situações que, ao fim de um tempo, já nem solução têm. Enfim, tudo isto, foi um pequeno desabafo. Tenho a cabeça feita num oito, mas como senti vontade de gastar as energias que me restam no teclado, aqui estou, a pautar um regresso... Porque a vida é mesmo assim, cheia de retrocessos e o fascinante é a maneira como nos desenvencilhamos disso! Não prometo a regularidade do costume, mas enquanto estiver ausente, terei o cuidado de preparar imenso conteúdo para o futuro! ♥